DAU / MAU: o que são, como calcular a razão e o que é stickiness
Por Tiago Costa · Atualizado em 9 de julho de 2026

Definição
DAU / MAU são os usuários ativos por dia (DAU) e por mês (MAU); a razão entre eles mede o stickiness, ou seja, a grudabilidade do produto.
- DAU/MAU = DAU médio dividido pelo MAU, expresso em porcentagem.
- Perto de 50% indica hábito diário; baixo indica uso ocasional.
- Só é confiável se a definição de "ativo" for consistente e honesta.
O que são DAU e MAU
DAU (Daily Active Users) é a contagem de usuários únicos que fizeram uma ação relevante no produto em um único dia. MAU (Monthly Active Users) é a mesma contagem de usuários únicos, mas ao longo de uma janela de trinta dias. Os dois medem pessoas, não sessões nem cliques: quem abre o aplicativo cinco vezes no mesmo dia conta uma vez no DAU daquele dia.
Sozinhas, essas contagens falam de alcance, não de intensidade. O MAU tende a crescer com marketing e aquisição, porque basta o usuário aparecer uma vez no mês para ser contado. O DAU é mais duro de mover, porque exige que a pessoa volte com frequência. Por isso as duas métricas juntas dizem mais do que cada uma isolada: uma revela o tamanho da base, a outra revela o hábito.
A razão DAU/MAU: a métrica de stickiness
A razão DAU/MAU é o DAU médio de um período dividido pelo MAU do mesmo período, expresso em porcentagem. É a forma mais direta de medir stickiness, a grudabilidade do produto: quantos dos usuários que aparecem no mês voltam num dia típico. Um índice de 25% significa que o usuário médio usa o produto em cerca de um a cada quatro dias, algo próximo de sete ou oito dias por mês.
Ler a razão como frequência de retorno é o que a torna poderosa. Ela responde a uma pergunta que o crescimento bruto de usuários esconde: as pessoas estão formando o hábito de voltar, ou apenas passando uma vez? Por isso o DAU/MAU costuma andar junto com a Taxa de engajamento, que descreve com que profundidade cada usuário interage dentro dessas visitas.

O que é um bom DAU/MAU
Não existe um número universal, mas há faixas de referência bastante usadas. Uma regra prática comum trata algo em torno de 20% como um índice respeitável e considera 50% ou mais como excepcional, típico de produtos que viraram hábito diário, como mensageiros e ferramentas de colaboração. Redes sociais e apps de comunicação bem sucedidos costumam viver na faixa alta.
- Abaixo de 10%: uso esporádico, produto ainda não entrou na rotina.
- 10% a 20%: engajamento moderado, com espaço claro para melhorar.
- 20% a 50%: produto pegajoso, parte relevante da base volta várias vezes por semana.
- Acima de 50%: hábito diário consolidado, raro e valioso.
Antes de comparar, olhe a categoria do seu produto. Estudos de benchmark do setor, como o relatório anual da Benchmarkit, mostram que engajamento e retenção variam muito conforme o tipo de software, então uma boa referência é sempre a de produtos parecidos com o seu.
Definir "ativo" com honestidade
O DAU/MAU é tão bom quanto a definição de "ativo" por trás dele. Se "ativo" for apenas abrir o app ou fazer login, o número infla e passa a medir curiosidade, não valor. Se for uma ação que representa o momento de valor do produto, como enviar uma mensagem, criar um relatório ou fechar uma tarefa, a métrica passa a refletir uso real. A escolha da definição muda o resultado mais do que qualquer otimização de produto.
Duas disciplinas tornam o número confiável. A primeira é ancorar "ativo" na ação de valor, e não em um simples acesso. A segunda é manter essa definição estável no tempo, porque redefinir "ativo" no meio do caminho quebra qualquer comparação histórica. Vale ainda separar a base: seus Power users distorcem a média para cima e merecem ser analisados à parte, para que a razão agregada não esconda uma cauda longa de usuários pouco ativos.

Quando DAU/MAU é (e não é) a lente certa
A razão DAU/MAU faz sentido quando o produto tem uma cadência natural diária. Ferramentas de comunicação, colaboração, entretenimento e produtividade se beneficiam da lente, porque o valor esperado é justamente o retorno frequente. Nesses casos, um DAU/MAU baixo é um sinal de alerta legítimo.
Já produtos com cadência naturalmente mensal ou trimestral são injustiçados por essa métrica. Um software de folha de pagamento que roda uma vez por mês, ou uma ferramenta de fechamento contábil, terá DAU/MAU estruturalmente baixo sem que isso signifique problema algum. Para eles, faz mais sentido medir WAU/MAU, a fração que volta na semana, ou casar o uso com o resultado que o produto promete entregar. É por isso que o DAU/MAU raramente deve ser a North Star Metric sozinho: ele é um indicador de hábito, não a medida final do valor entregue.
DAU/MAU no contexto das métricas de produto
O DAU/MAU não vive isolado; ele antecipa o que outras métricas confirmam mais tarde. Stickiness em queda costuma ser um indicador antecipado de Churn: quando os usuários deixam de voltar no dia a dia, o cancelamento formal tende a vir depois. Por isso a razão funciona como um sinal precoce de saúde, semanas ou meses antes de o churn aparecer na receita.
A leitura mais rica vem de cruzar as três camadas. O MAU mostra o tamanho do alcance, a razão DAU/MAU mostra a frequência do hábito, e o engajamento mostra a profundidade de cada visita. Um produto pode ter MAU alto e stickiness baixo (muita gente entra, poucos voltam) ou o oposto (base pequena, mas viciada). Só olhando as camadas juntas dá para saber se o crescimento é sólido ou apenas volume passageiro.
Perguntas frequentes
DAU são os usuários ativos diários (Daily Active Users) e MAU são os usuários ativos mensais (Monthly Active Users). Ambos contam usuários únicos que fizeram uma ação relevante no produto, num dia e num mês, respectivamente.
A diferença é a janela de tempo. O DAU conta os usuários únicos ativos em um dia; o MAU conta os usuários únicos ativos ao longo de trinta dias. O MAU tende a ser maior, porque basta o usuário aparecer uma vez no mês.
São contagens de usuários ativos em janelas diferentes: DAU no dia, WAU (Weekly Active Users) na semana e MAU no mês. Comparar essas janelas ajuda a entender com que frequência as pessoas voltam ao produto.
Divida o DAU médio de um período pelo MAU do mesmo período e multiplique por 100. Por exemplo, um DAU médio de 5 mil sobre um MAU de 25 mil dá uma razão de 20%.
Depende da categoria, mas uma regra prática comum trata cerca de 20% como respeitável e 50% ou mais como excepcional, típico de produtos de uso diário. Produtos de cadência mensal naturalmente têm índices mais baixos.
Stickiness é a grudabilidade do produto, medida pela razão DAU/MAU. Mostra que fração dos usuários mensais volta num dia típico, ou seja, se o produto virou hábito ou é usado apenas ocasionalmente.
Conceitos relacionados

Taxa de engajamento
A taxa de engajamento mede a intensidade com que a base usa o produto: a fração de usuários que realiza a ação-chave de valor num período. Não há fórmula única, cada produto define essa ação. Alto engajamento antecede retenção e expansão; baixo engajamento antecede churn.

Power users
Power users são a fração pequena de usuários mais engajados e frequentes de um produto, que extraem o máximo dele e costumam gerar uma parcela desproporcional da atividade e do valor, um efeito Pareto. São a principal fonte de expansão, indicação e feedback, e entender o que os torna power users orienta o roadmap e o onboarding dos demais usuários.

North Star Metric
A North Star Metric é a métrica-guia única que melhor resume o valor que o produto entrega ao cliente e prediz o crescimento sustentável do negócio. Fica acima das métricas de input que a alimentam e alinha todos os times em torno do valor real, não de números de vaidade. Bem escolhida, ela sobe quando o cliente ganha, e não quando a empresa extrai.