Committed MRR (CMRR): o que é e como calcular o MRR comprometido

Por Tiago Costa · Atualizado em 9 de julho de 2026

Ilustração do Committed MRR: o MRR atual ajustado por entradas contratadas e saídas certas formando a receita recorrente comprometida.

Definição

O Committed MRR (CMRR) é o MRR comprometido de um SaaS: parte do MRR atual, soma as entradas já contratadas e subtrai as saídas já certas.

  • Incorpora contratos assinados que ainda vão ativar.
  • Subtrai cancelamentos já avisados.
  • Mostra a receita recorrente futura já comprometida.

O que é o Committed MRR (CMRR)

O Committed MRR (CMRR), ou MRR comprometido, é a receita recorrente mensal que a empresa já pode dar como certa para o futuro próximo. Ele parte do MRR atual, soma os contratos que já foram assinados mas ainda vão ativar e subtrai as saídas que já estão confirmadas, como cancelamentos que o cliente já avisou.

A sigla vem de Committed Monthly Recurring Revenue. A ideia central é simples: em vez de olhar apenas o que está ativo hoje, o CMRR incorpora o que já está fechado no contrato, mesmo que ainda não tenha aparecido na cobrança. É uma leitura mais honesta de para onde a receita recorrente está indo.

Como calcular o CMRR

A conta parte do MRR atual e ajusta pelas certezas já conhecidas:

  • CMRR = MRR atual + entradas já contratadas - saídas já confirmadas.
  • Entradas: contratos assinados que ainda não ativaram e expansões já acordadas com data para entrar.
  • Saídas: cancelamentos e downgrades que o cliente já avisou e que vão baixar a receita.

Exemplo: se o MRR hoje é de R$100 mil, há R$15 mil em contratos assinados que ativam no mês que vem e R$5 mil em cancelamentos já avisados, o CMRR é de R$110 mil. Note que só entra o que é certo e datado; uma proposta em negociação, sem assinatura, não conta. Essas variações são as mesmas que aparecem nas movimentações de MRR, só que aqui olhadas para a frente.

Infográfico do cálculo do CMRR: MRR atual mais entradas já contratadas menos saídas já confirmadas.
A fórmula do CMRR: o MRR atual somado às entradas contratadas e subtraído das saídas certas.

CMRR e MRR: qual a diferença

O MRR é uma foto do presente: mostra a receita recorrente das assinaturas ativas hoje. O CMRR é uma foto do futuro contratado: mostra onde essa receita vai estar quando tudo o que já está fechado entrar em vigor.

  • MRR: o que está ativo e sendo cobrado agora.
  • CMRR: o MRR ajustado pelas entradas e saídas já certas, mas ainda não refletidas.

Por isso o CMRR costuma antecipar movimentos que o MRR só vai registrar semanas depois. Quando uma empresa fecha um grande contrato anual que ativa no trimestre seguinte, o CMRR sobe na hora, enquanto o MRR só reage quando a cobrança começa.

O que entra e o que sai do CMRR

O rigor do CMRR está em ser conservador com o que conta como certo. Do lado das entradas, valem contratos assinados com data de ativação e expansões já acordadas. Do lado das saídas, entram os cancelamentos e reduções já comunicados, o chamado churn anunciado que ainda não baixou a receita.

O que NÃO entra é tão importante quanto o que entra:

  • Propostas e oportunidades em aberto, que ainda podem não fechar.
  • Renovações apenas prováveis, sem confirmação.
  • Cobranças pontuais e taxas únicas, que não são recorrentes.

Manter essa disciplina é o que separa um CMRR confiável de um número otimista demais. Se entrar previsão no lugar de compromisso, o CMRR vira um chute e perde a serventia.

Ilustração do que entra e do que sai do CMRR: contratos assinados de um lado e cancelamentos avisados do outro.

Committed ARR: o CMRR anualizado

Assim como o MRR vira ARR quando multiplicado por 12, o CMRR vira o Committed ARR, o ARR comprometido. É a mesma lógica de receita já contratada, só que na régua anual que investidores e diretorias preferem.

O Committed ARR é útil para conversas de planejamento e captação, porque mostra o piso contratado da receita recorrente para os próximos doze meses. Empresas com muitos contratos anuais tendem a usar essa visão, já que boa parte da receita do ano seguinte já está assinada antes mesmo de começar.

Por que o CMRR guia o planejamento

O valor do CMRR está em reduzir surpresas. Como ele já incorpora o que está fechado, dá uma base mais firme para projetar caixa, dimensionar metas de vendas e planejar contratações, sem esperar a receita aparecer na cobrança para reagir.

Ele também deixa claro o peso da retenção: cada saída certa que entra no cálculo é receita que sai do futuro. Não à toa, a pesquisa de SaaS privado do KeyBanc Capital Markets mostra a retenção líquida de receita acima de 100%, e o SaaS Capital reforça que a retenção é o principal motor de um crescimento previsível. Um CMRR crescente é, no fundo, sinal de que as entradas contratadas superam com folga as saídas já certas.

Perguntas frequentes

É o MRR comprometido: o MRR atual somado às entradas já contratadas e subtraídas as saídas já confirmadas, como cancelamentos avisados. Mostra a receita recorrente futura já certa.

CMRR = MRR atual + entradas já contratadas - saídas já confirmadas. Só entra o que é certo e datado; propostas em negociação não contam.

O MRR mostra a receita recorrente ativa hoje; o CMRR ajusta esse número pelas entradas e saídas já certas mas ainda não refletidas na cobrança.

É a receita que já está garantida por contrato, mesmo que ainda não tenha sido cobrada. No SaaS, o CMRR é a versão mensal e recorrente dessa ideia.

É o CMRR anualizado, o CMRR multiplicado por 12. Mostra o piso contratado da receita recorrente para os próximos doze meses.

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